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A mãe não dorme

Mãe que não dorme e que vai trabalhar todos os dias com outros filhos, os alunos! Professora contratada, eternamente contratada! Subscrevam o blog e vamo-nos lendo por aqui!

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A mãe não dorme

31
Jan21

Antimatéria


Vera Garcia

A solidão tem ausência de cor, sabe a vazio e é fria. A solidão ainda é mais solitária quando tens alguém à tua volta, mas tu sentes-te como um transeunte desconhecido. A solidão é antimatéria.

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...

30
Jan21

Morte medicamente assistida


Vera Garcia

Pior do que dar uma opinião, é não conseguir ter opinião. E não consigo, porque sou pela Vida. E não consigo porque sou contra o sofrimento. Então, encontro-me nesta dualidade de pensamentos. Depois, penso que ninguém tem o direito de fazer o papel de Deus, ou do Universo, ou da Natureza. Quero pensar que a Natureza chama a si quando acha que deve chamar e que todos os seres vivos deste planeta vivem em constante equilíbrio, uns com os outros e dependem todos uns dos outros. Mas...de repente, assolam-me aquelas imagens profundamente avassaladoras, de sofrimentos atrozes, numa cama de hospital ou, quando os hospitais nada mais têm a fazer e mandam os doentes definhar em casa. Fardos para as famílias. Sofrimento pesado demais para os que estão à volta. Sofrimento sem medida para quem o sente, verdadeiramente, na pele. Alguns têm família, que sofre pela impotência de mais nada poderem fazer. Outros, estão sozinhos...

A Vida... é uma possibilidade, uma oportunidade, um milagre da mãe Natureza, é preciosa. Ansiamos por mais um dia, mais um dia com aqueles que amamos, mais um dia para que não nos deixem, mais um dia para não os deixarmos. Estados vegetativos, doentes terminais que imploram deixar este mundo, por não terem mais forças...a decisão sobre a Vida nas mãos dos políticos. Que, ao menos, cada um de nós pudesse ter decidido, ter dado a sua opinião entre um sim e um não, se é que alguém tem o direito de decidir sobre a vida e a morte. Mas que nos tivessem ouvido, por decência.

Finalizo este texto com a mesma incerteza com que o iniciei. Pior do que dar uma opinião, é não conseguir ter uma opinião. Por egoísmo? Por termos sido doutrinados pela religião católica desde que nascemos? Teremos o pensamento condicionado? Pela possibilidade de vermos só mais uns segundos aqueles que amamos? Egoísmo, novamente? Desespero em agarrar-se a mais um instante? Não ter opinião é ter uma balança equilibrada demais. É um meio termo que aqui não tem lugar, numa decisão de tudo ou nada.   ... 

 

 

 

22
Jan21

Ressaca

Ganhar tempo


Vera Garcia

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Sim, é mesmo isto que sinto, ressaca. Ressaca por finalmente o governo ter suspendido as aulas presenciais. Finalmente suspendeu...e pecou por ter sido uma decisão tardia. Ressaca porque foram muitos os testemunhos escritos de docentes que  tal como eu, viveram estas semanas iniciais, mais do que nunca, rodeados deste maldito vírus, e viram os seus alunos a ficarem infectados e, os outros, a continuarem a ficar fechados com os professores nas salas de aula, ao sabor das decisões divergentes e sem norte dos delegados de saúde. Ressaca, é o que sinto, como se fosse mais ou menos um sinónimo de cansaço. Se concordo com a medida? Em parte. Ficámos em casa, ainda bem pela saúde de todos e lutámos muito por isso. Se podíamos estar com aulas à distância? Sim, e o ritmo não teria sido quebrado. Se convinha para o governo termos aulas à distância? Não, pois o seu falhanço total de apetrechamento tecnológico aos alunos poderia vir ainda mais à tona. 

Ressaca, cansaço de um medo que não fez uma "interrupção" , não se foi embora. Cansaço de uma certeza de que 15 dias não serão suficientes...

Esperança e apelo a que os pais e alunos se mantenham sossegados em casa, pois o espírito não pode ser o de "férias". Não estamos em férias. Estamos a resistir. A nossa arma é ficar em casa. E ganhar tempo. E dar tempo aos hospitais.

Imagem retirada do google.

18
Jan21

Mentes doutas dos delegados de saúde


Vera Garcia

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Este é um post rápido, rapidíssimo! Aplausos para as mentes doutas dos delegados de saúde, que enviam uma turma inteira de quarentena devido a caso positivo de um aluno, mas obrigam os professores a irem para a escola, tendo estado dentro da sala de aula o tempo todo, como no caso  dos professores do 1⁰ ciclo. Palmas!!!!

Imagem retirada do google

17
Jan21

Páginas mais visitadas (visualizações ontem: 16/01/2021)


Vera Garcia

15
Jan21

A realidade do vírus nas escolas do 1⁰ Ciclo


Vera Garcia

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Desculpem o meu umbiguismo nesta reflexão. Falarei apenas do universo do primeiro ciclo neste contexto pandémico. A DGS continua a afirmar e a mascarar as escolas como lugares seguros, com pouca transmissão do vírus, especialmente no que concerne às faixas etárias mais novas. Voltemo-nos para eles, os mais novos. À conversa com uma estimada colega minha do primeiro ciclo, constatámos que não deve haver profissão com nível mais desigual de protecção do que a nossa. Porquê? Simples. Em qualquer outro estabelecimento profissional, todos os seus intervenientes usam protecções individuais, máscaras, acrílicos. No primeiro ciclo e, obviamente, no jardim de infância isso não acontece. Os docentes e auxiliares protegem-se a si próprios e às crianças, mas...quem é que os protege e como é que as próprias crianças se protegem entre elas? Nunca o Ministério da Educação considerou obrigatório o uso de máscara no primeiro ciclo. Um erro crasso. Devia ter sido a primeira entidade a consciencializar os pais, já que muitos não aceitam que os seus filhos a usem nas aulas e não ouvem os apelos dos professores. É desigual a protecção nas escolas do primeiro ciclo. O Ministério da Educação há muitos anos que resolve tratar das Escolas como se fossem empresas. Todavia, repare-se que nas empresas todos utilizam protecções individuais. Nas escolas do primeiro ciclo e jardins de infância, não. O Ministério da Educação é um órgão carregado de trafulhice e gosta de atirar areia para os olhos de quem não trabalha neste meio asséptico, como eles gostam de ludibriar. O Ministério da Educação sujeita as crianças mais pequenas a estarem ao magote nestas condições e usa o chavão da "desigualdade acentuada pelo Ensino à Distância" para que não venha à tona a entrega de computadores e acesso à internet, tão apregoado no final do ano lectivo transacto. Onde estão? Ludibriam para esconder que nada prepararam, nada entregaram! Ludibriam porque não querem pagar a um dos pais para estarem com as crianças em casa. O Ministério da Educação não quer saber do bem estar psicológico e físico dos nossos/vossos filhos! Se quisesse, não votava ao abandono muitas escolas cheias de gente, por aí. Se quisesse, não nos faziam a todos carne para canhão. E depois há os delegados de saúde. Não tenho palavras para descrever que tipo de delegado de saúde se é, quando se decide manter toda uma turma, professores e auxiliares na escola, após a confirmação de casos positivos dentro da turma. Não entendo! Sem quarentena, sem testes de despistagem, nada! Não entendo como, em caso exactamente igual, um outro delegado de saúde de outro concelho que dista apenas 5km, tem um procedimento totalmente diferente e ordena o estado de quarentena para todas as crianças, professores e auxiliares que mantiveram contacto com essas crianças positivas. Sim, crianças de 6 anos contagiam-se e contagiam os outros, contrariamente ao que os seres iluminados, Zen e assépticos do Ministério da Educação fazem crer! Eu afirmo, sem ser da área da saúde. Afirmo por constatação. E, neste caso do primeiro ciclo, os Municípios não têm nada a dizer? As próprias direcções dos Agrupamentos não têm nada a refutar? Baixa-se a cabeça aos Deuses dos delegados de saúde e espera-se que, na semana seguinte, caia o próximo tordo? 

Por fim, os professores e auxiliares continuam a não ser considerados como prioritários para a toma da vacina. Tirem as vossas conclusões. A minha é simples e simplória: há muito que corre a Inquisição atrás destes seres raros de livros debaixo dos braços. Não sei, parece um ódio generalizado...E, depois, também tenho outra conclusão simplória: a maltratada classe docente será eternamente rebaixada. Todo o patrão que não se preze gosta de ver os seus empregados à briga. Isso faz com que estejam entretidos e não se unam...contra ele. 

 

 

 

14
Jan21

"Gritos mudos chamando..." à razão


Vera Garcia

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Há quem escreva maravilhosamente quando está triste. Há quem sonhe o mais idílico poema quando as horas custam a passar...dei por mim a rodar o feed de notícias do facebook, vezes sem conta...nada mais há a espremer do que a revolta das pessoas, o ódio, o sarcasmo, o rir para não chorar, o "posso ou não posso fazer isto ou aquilo"...são tempos loucos, estranhos, castradores, medonhos, sem fim à vista. Pela primeira vez nesta vida, praticamente há um ano que sinto medo de ir trabalhar. E já me cansa o discurso repetitivo de uma consciencialização para o uso da máscara na sala de aula aos meus alunos de 3⁰ e 4⁰ anos. Esta banalização errada de que as crianças destas idades não necessitam de máscara...é um discurso em vão, o meu. Ninguém quer saber. A preocupação bate apenas nos mais crescidos e nos adultos. Tão errado...errado para os mais pequenos e para os adultos que estão com eles, na escola.

Não vou mais entrar por aquela porta e soprar vendavais sobre a forma como os governos sucessivos têm olhado e tratado toda a comunidade educativa. Não vale a pena. Somos filhos de um deus menor, mas ajudamos neste momento a levar um país às costas, sem reconhecimento, sem prioridade numa vacina, única coisa que nos podia mostrar uma pequena luz ao fundo do túnel. É nossa função...é. Chego a casa e tenho medo de abraçar a minha filha. Fujo dela, para ir às pressas despir a roupa do trabalho e desinfectar-me. Por hoje calo-me, porque a tristeza tem em mim esse efeito adverso. Torna-me muda, pensativa e inerte. E assim me sinto, inerte, ao sabor de um barco que navega sem leme, em direcção ao desconhecido. 

 

Imagem retirada do google.

09
Jan21

Para o raio que os parta, os sindicatos e este desministério!


Vera Garcia

Exercício de raciocínio básico: em média, cada professor, tem cerca de 9 turmas × 20 alunos (ou mais), o que perfaz à volta de 180 ou 200 alunos. Estes alunos têm família, óbvio. O professor também tem família e o agregado familiar que vive com ele. Quando se tem a maior força sindical que é a FENPROF afirmando que os professores querem aulas presenciais, nada mais lhes posso chamar do que mentirosos e coniventes com o governo! Tenho muitas dúvidas, nesta altura do campeonato, se os pais querem realmente colocar os filhos na escola, horas a fio com muitos colegas e professores que vão rodando entre turmas. O que é? Não há dinheiro para pagar aos pais para aguentarem umas semanas em casa com os filhos? Não há noção de que, neste momento, os médicos, enfermeiros e professores levam o país às costas? Quem nos reconhece??? FECHEM AS ESCOLAS! E os pais têm de começar a mexer-se!

09
Jan21

"Esse mal já é antigo, amigos", escreveu um aluno meu


Vera Garcia

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Parecia que estava em Trás-os-Montes, mas não. O carro rolava em cima da estrada gelada e, na berma, viam-se os campos vestidos de branco de geada. O carro era velho e não tinha ar condicionado. Com um pano, ia limpando o vidro embaciado, a 50 à hora, serpenteando naquela estrada estreita até chegar à escola. Nos confins de um Alentejo profundo e esquecido, o termómetro marcava -5 quando, às 8 horas da manhã, se ouvia o toque de entrada. Um a um, iam entrando na sala, com as bochechas vermelhas do frio, soprando ar quente para as mãos roxas cheias de frieiras, encasacados, gorros até aos olhos e enrolados em mantas até aos pés. Depois dos cumprimentos habituais e antes de qualquer produção escrita, ginasticavam-se as mãos entorpecidas pelo frio gélido e cortante, que se nos entranhava até aos ossos. Os nossos aquecedores eram as mantas, as portas e janelas fechadas. Com típicas saídas de adolescentes de 9⁰ ano, alguns diziam-me que não conseguiam pensar, porque tinham o cérebro congelado! Quem não?... Os sistemas de aquecimento estavam avariados e também não havia aquecedores. A ordem era para poupar...

Assim era há cinco anos, quando por lá passei, em terras fronteiriças com Espanha. Dirão que é mais um texto sobre climatização nas escolas portuguesas. Pois eu digo que sim e que é fundamental que se apontem/denunciem as situações reais que se vivem nas escolas, nomeadamente as suas infrastruturas, e que têm sido muitas vezes esquecidas pelas entidades competentes, direcções,  municípios ou a tutela (acho gira a palavra tutela...).  Muitas das escolas, especialmente as do 1⁰ Ciclo, as verdadeiras abandonadas, nem sistemas de climatização têm! Vá lá se tiverem alguns ventiladores (muitos deles trazidos pelos próprios professores)...e, por falar em ventilar, a histeria à volta deste vírus que nos acompanha desde Março (que se saiba), faz-me relembrar aquela célebre frase do "não se morre do mal, morre-se da cura". Sabemos que as salas devem ser arejadas, na sua conta, peso e medida. Há salas por aí em que quase se voa com a ventania que vai lá dentro! Ele é janelas e portas abertas, correntes de ar por todo o lado...nem sempre a regra do bom senso tem sido aplicada. Foi preciso aparecer uma directiva da DGS a instruir as escolas da "regra das janelas e das portas"...causa-me uma certa urticária este problema de interpretação das normas da DGS por parte de alguns Agrupamentos.

Alunos e professores com mantas? Causou-se o espanto e a consternação! Como dizia há pouco este meu aluno de há cinco anos, residente lá nos fins dos Alentejos, unicamente adorado pelas suas paisagens, vinhos, comida e bom descanso, "este mal já é antigo, amigos"...falam nele agora que há um vírus e resolvemos escancarar portas e janelas? E dantes? Alguém quis saber por que é que muitos alunos e professores tinham de ir embrulhados em mantas para a escola? 

 

Imagem retirada do google.

01
Jan21

No meu poema...


Vera Garcia

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha
No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro...

A madrugada de ano novo foi fria e vazia. O amanhecer não foi melhor...eu e o 2021 estranhámo-nos logo à primeira vista. Espero, sinceramente, que nos venhamos a entender...

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