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A mãe não dorme

Mãe que não dorme e que vai trabalhar todos os dias com outros filhos, os alunos! Professora contratada, eternamente contratada! Subscrevam o blog e vamo-nos lendo por aqui!

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A mãe não dorme

30
Mar21

A bicha que se me invadiu as entranhas!


Vera Garcia

bsubtilisfinal.jpgNa noite de Sábado não dormi! À  conta dela, tudo à minha volta me cheirava mal! A casa, cheirava-me mal! Pensei que fossem os esgotos, mas vi o marido e a filha a olharem muito espantados para mim! Fez o marido o jantar, carne grelhada para não engordar! Pois nem carne grelhada, nem salada, nem coisa que o valha! Cheirava mal! E a carne, à primeira dentada, libertou um travo a "porcalhum", que até as entranhas se me embrulharam! Fui-me deitar agoniada, praguejando até à quinta casa dos infernos! Batiam-se-me os dentes com frio, mas os dois termómetros diziam que não eram febres, não senhora! Eram 34 graus e não havia mantas que me aquececem aquele gelo danado que me vinha cá de dentro! A cabeça entontecida! A boca que não parava de bocejar, os olhos pesados! Estaria com "olhado"? "Olhado" não era, nem "olho gordo"! Era a Astra(lópiteca) que me havia enfeitiçado! E enfeitiçou-me no Domingo e fez-me andar com os bofes à boca e a ter conversas privadas com a sanita! Ontem foi Segunda e cantei de galo! A bicha já se tinha cansado de mim! Enganada estava eu, quando me estarifei na minha rica caminha, que afinal cheirava bem! Assim que julguei fechar os olhos, eis que a bicha me começou a apanhar os pés, as pernas, a espalda (como dizia a minha amiga de Elvas), subindo-se-me pela espinha acima até me apanhar o pescoço! Era uma dor que não se aguentava! Esperneei toda a noite, toda a noiteee, mas não foi no baile com o Toy! Foi mesmo com ela, a bicha! Hoje, a desgraçada acordou aquela dor malvada, que nasce em cima do Sim Senhor e me apanha a perna toda até lá abaixo! E, no meio disto, fiz as grelhas de avaliação de uma catrefada de turmas, Planos de Acompanhamento, fichas de monitorização e relatórios! Que eu cá sou professora obediente! Dão-me com a injecção ao Sábado, que eu não gosto de faltar às aulas! A desgraçada pôs-me doente, mas eu sou boa professora e não posso falhar as avaliações!!!! ...

Abençoados aqueles que levaram a magana e conseguiram fazer as limpezas no Sábado ou foram correr, andar de bicicleta...! Aos que não prestam como eu, espero que já estejam benzinho, sim?

Não sou ingrata, não senhora. Agradeço por ter podido levar a bicha. Antes esta bicha do que ter o bicho...mas eu também acredito em teorias da conspiração...e acredito na máfia que se enche à conta disto tudo...e aceito a minha perfeita ignorância sobre tudo o que rodeia este vírus. E sou Alentejana e escrevo e falo como tal 😄 (e gosto)!!! Porra!

 

Imagem retirada do google.

 

17
Mar21

Pudesse eu parar o Tempo...


Vera Garcia

FB_IMG_1615979190312.jpgNão, hoje não vou escrever sobre os contratados, porque a minha vida é muito mais do que a minha profissão. A minha vida é, essencialmente, a minha filha. Pensamento errado, dirão muitos de vós e que nós também devemos existir para além do papel de mães ou pais. Há bocado, enquanto a adormecia percebi, com toda a certeza, de que aquele ser tão pequenino é a minha vida, sim. E sim, deixo que a minha vida pessoal e profissional gire à volta dela e coloco-a em primeiro lugar. Porque é sangue do meu sangue. Porque poderia ser cega e seria capaz de a reconhecer só pelo seu cheirinho. Porque é minha, sempre antes de qualquer pessoa. Porque ela é metade de cada veia minha, artéria, coração. Porque ela é o meu pulmão que me dá oxigénio. Porque cada palavra dela, cada gesto, cada abraço são alegrias infinitas e pura felicidade, contentamento. Porque cada vez que olho para ela, vejo dois olhinhos tão grandes, brilhantes, que transbordam vida! E é Vida que ela me dá, porque basta ouvi-la, senti-la para qualquer dor, seja ela qual for e de que tipo for, ficar atenuada ou desaparecer. Dizem que as mães têm a hormona do amor, que as faz ganhar forças sei lá onde só de cheirarem ou de ouvirem os seus filhos. Todos os dias lhe digo que gosto tanto, tanto dela e que ela é o maior amor da minha vida. Ela é o Amor da minha vida! Ela virou-me tudo do avesso! Eu era livre, tão livre e ela veio prender-me. E eu não me quero soltar! 

Hoje não quis sair daquela cadeira ao lado da caminha dela. Hoje não tive pressa alguma em ir ver programas na televisão ou ir simplesmente para o sofá. Hoje quis ficar ali, de mão dada com ela, a sentir aqueles dedinhos pequeninos, aquela mãozinha quentinha adormecida na minha. És minha Kiki, para sempre minha! E quis parar o tempo, para que aquele momento vivesse para sempre.

Ser mãe é lixado. Nasce-nos uma coisa cá dentro que não tem explicação. Tanto doi, como a seguir se está pleno de alegria! Colocamo-nos em segundo plano, não por obrigação, mas porque simplesmente queremos. É Amor, na forma mais pura e desprendida que há. 

13
Mar21

Devemos ceder ao cansaço, contratados?


Vera Garcia

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Sou contratada. Pelo menos 800 e tal seguidores da página A mãe não dorme já perceberam isso. Contratada há 15 anos, quase 16. Mas não interessa nada. Falo do cansaço generalizado de uma classe docente. Estão cansados de levar bofetadas ano após ano, mas não reagem. Falo de comodismo. É uma classe docente que é usurpada ano após ano, mas tem o seu salário mensal (alguns), que vai dando para o gasto e, como tal, não reage. Falo da inércia de uma classe docente que lê avidamente 1001 comentários sobre todas as ofensas que nos fazem, mas que assiste impavidamente como quem assiste a uma novela e ainda diz mal das personagens, no fim. Reage, mas no sofá. 

Falo de discórdia. É uma classe docente que exige atenção e concentração aos alunos, mas não presta atenção ao que a rodeia e não se concentra no essencial: quais são os nossos verdadeiros direitos? Se os soubermos identificar (e sabemos), então lutemos por eles! Não é regatear o preço do nosso trabalho! É exigirmos o preço certo! 

Às vezes dou comigo a pensar que devo ser de outro planeta...porquê dar-me ao trabalho de escrever coisas reacionárias, se não me levam a lado nenhum e ninguém as lê? Podia estar a ler um livro ou até mesmo dormir (coisa que faço muito pouco), mas não...devo ser tola. Mas depois penso naquela célebre frase "se conseguires chegar a 2 ou 3 alunos verdadeiramente, já não é mau". Então, se houver 2 ou 3 pessoas que leiam o que escrevo e que se decidam levantar e falar pela maioria dos desgraçados dos contratados, já valeu a pena. Podes começar por ti, dirão. Sim, mas não passo de uma Zé Ninguém. É preciso concentrar-nos todos no mesmo propósito e haver um núcleo duro de 4 ou 5 pessoas que ponha o barco a funcionar e o faça arrancar. 

Sou utópica e reacionária. Sou. Não gosto, nem aceito injustiças. Tomara que muitos mais fossem assim. Tomara que os sindicatos olhassem verdadeiramente para os contratados. Tomara que fôssemos valentes e não esperássemos por sindicato nenhum para nos fazerem ouvir a nossa voz. 

O professor teve sempre 2 ferramentas de trabalho: o giz para escrever e a VOZ para se fazer ouvir.

 

Imagem retirada do google.

11
Mar21

Já chega de brincarem com os Contratados!


Vera Garcia

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Caros contratados, dirijo-me a vós!

Temos sido, ano após ano, vítimas de descrédito por parte de sucessivos governos! Tenho escrito incansavelmente sobre o abuso exercido sobre nós! Somos filhos, pais, temos contas para pagar, temos família! A nossa família tem sido remetida para último plano, bem como toda a nossa vida pessoal, em prol do tempo de serviço! Temos feito sacrifícios atrás de sacrifícios, à borla, sem qualquer tipo de ajuda de custo! Todos os governantes deste país recebem subsídios de deslocação! Nós, não! 

Inventaram a norma-travão e o que eu SEMPRE fui contra isso! Norma-travão, NÃO! Antiguidade, SIM! Bem sei que muitos colegas nossos conseguiram, em bom tempo, alcançar um mínimo de estabilidade à conta desta lei injusta! No fundo, todos nós desejámos entrar na norma-travão, já que não havia mais nada melhor! Temo-nos conformado com as migalhas, baixando a cabeça ao que nos vão obrigando. Queixamo-nos, mas não passamos disso! Agora, mais uma vez, a norma-funil, a norma-entrave transformou-se numa coisa abjecta, numa espécie de totalitarismo abusivo sobre nossa vida! Quem são estas pessoas que nos obrigam a alargar os nossos concursos a centenas de quilómetros da nossa área de residência, sob pena e represália de nos obrigarem a não podermos trabalhar no ano letivo seguinte, caso não se consiga colocação?

Mas ATÉ QUANDO é que pessoas com as habilitações literárias que nós temos, vão continuar a sujeitar-se a isto?? Somos NÓS que colocamos esta gente no poleiro onde estão! Somos NÓS que ensinamos os filhos deles! Somos NÓS que temos dado de mão beijada os nossos computadores, temos gasto dinheiro para trabalhar! Muitos de nós PAGAM para trabalhar! Não chega já? Não há quem se levante e que obrigue os grupos parlamentares a discutir esta vergonha? Acabem com esta aberração, que já nasceu aberrante! Coloquem os professores contratados nos quadros por ANTIGUIDADE! Eles existem com 10, 15, 20 anos ou mais, na incerteza durante 365 dias, ano após ano! Caramba! Mas quem somos nós para permitirmos uma coisa destas? Desde quando é que um grande movimento de cidadãos precisa de apoio sindical? Somos NÓS! Somos NÓS! Somos NÓS!

09
Mar21

Dia da Mulher...dizem...


Vera Garcia

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Foi o Dia da Mulher e esta é a única reacção que me apraz ter...poderia ter outras, mas seriam ofensivas. Compreendo o dia, historicamente. No entanto, faltam cumprir-se os verdadeiros desígnios e direitos das mulheres. Continuamos a aguentar demais, a sermos sopeiras, a recebermos salários inferiores, objectos sexuais nas mãos dos homens e catalogadas como putas quando temos comportamentos iguais aos dos homens. Antes putas do que submissas!

02
Mar21

O Patrão e os empregados


Vera Garcia

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Começo este texto com a frase que sempre digo: o patrão  gosta de ver os seus empregados à briga. Andam entretidos e divididos nas suas quezílias diárias, alheios ao que se passa à sua volta. O patrão tem medo quando os seus empregados se juntam e se voltam contra ele. Nós somos os empregados do Ministério da Educação e há anos que deixamos passar os dias numa cegueira colectiva. Mais facilmente criticamos o nosso parceiro de profissão em vez de agirmos contra quem nos desrespeita diariamente: o nosso patrão. Esta reflexão não serve para criticar os meus parceiros de profissão, que muito estimo, pois estamos no mesmo barco à deriva. Este texto serve sim como incentivo a uma única coisa que já deveríamos ter feito há muito tempo - não dependermos de forças sindicais para vermos os nossos direitos serem concretizados. Bem sei que os sindicatos existem para defenderem os interesses das classes profissionais. Neste momento, não chega. Tenho para mim que é necessário um movimento cívico, um movimento de cidadãos professores que lutam pelos seus direitos, que exigem ser ouvidos por todos os grupos parlamentares e que exijam uma resposta clara por parte deste Ministério de Educação, relativamente a vários aspectos que nos envergonham, enquanto indivíduos trabalhadores, enquanto educadores de gerações deste país. 

Comecemos pelos professores contratados, categoria na qual me insiro. Contratados de longa duração continuam à espera de leis-funil de travão, que têm sido entrave para muitas vidas. Contratados que continuam a trabalhar longe da sua área de residência, sem beneficiarem de qualquer ajuda de custo (contrariamente a todos os ministros e deputados). Contratados que ainda se sujeitam a aceitar horários incompletos e absurdos, como quem aproveita migalhas, como quem precisa do pão para a boca. Contratados, cujas vidas familiares são hipotecadas em prol de dias de serviço, que nunca chegam, que ficam sempre aquém para chegar a um lugar no quadro. Somos contratados de dez, quinze, vinte e mais anos. Somos necessidades temporárias? Somos descartáveis? Não fazemos falta? 

Falemos dos quadros. São aquelas pessoas guardadas no congelador, para ver se não envelhecem, pois não se podem reformar! Também têm os recibos de vencimento congelados há anos, sempre no mesmo escalão.  

Há tempos, houve quem se revoltasse com um colega que apelava ao não uso do computador pessoal para o Ensino à Distância. Pois eu cá compreendo o grito de revolta deste colega, que é o nosso, mas que não tivemos coragem de admitir! Por medo das direcções? Por comodismo? Por realmente acreditarmos que tinhamos de ajudar o país num momento difícil como este?... 

Entretanto, aparece uma senhora burguesa, que vem falar de burguesias alheias, cuja burguesice desconhece e vem meter a pata na poça que não lhe pertence! Ora, eu só falo do que conheço. A mais não arrisco, se não corro o risco de ser daquelas criaturas cheias de razão que falam de tudo e de todos. Não! É que estes "burgueses", senhora, são burgueses pobres, que já são taxados diariamente cada vez que têm de emprestar o seu material para prestar serviço ao país ou que, literalmente, pagam para trabalhar (aqui, inevitavelmente, falo dos contratados). A senhora burguesoide não merece comentário. Deve, primeiramente, inteirar-se do que fala ou manter-se nas suas economias.

Termino o texto da mesma forma com que o comecei: o patrão gosta de ver os seus empregados à briga. O patrão tem medo quando os empregados se juntam todos e se voltam contra ele. Se eu fosse cartoonista, desenharia um patrão anafado, que esfrega as suas mãos, mostrando os dentinhos entre risinhos sarcásticos, enquanto observa os seus empregados sobrecarregados de trabalho, entretidos com disputas entre eles.

Convidava a que cada um de vós pensasse num único direito que nunca foi ouvido, nem concretizado.Sim, a balança está desiquilibrada entre os direitos e os deveres. A palavra que impera é  "quando". Quando é que nos vamos unir, sem olhar a umbiguismos, comodismos ou ceder a medos, sem confrontos internos, e avançarmos todos na mesma direcção, pelos direitos de todos? 

Vera Garcia, professora contratada há 15 anos, e não me venham dizer que falo de utopias. 

01
Mar21

Sei onde deste a aula na semana passada...!


Vera Garcia

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Aqui vai um texto rapidinho sobre a loucura das aulas online e do trabalho que nos dá a triplicar, quando o computador já deu o que tinha a dar e quando temos que cuidar de filhos pequenos ao mesmo tempo : ir com o computador para a casa de banho, sentar-me numa cadeirinha pequenina e esperar que a minha filha fizesse cocó no bacio, enquanto explicava a pergunta/resposta "Do you like carrots? Yes, I do/ No, I don't! ... Felizmente o Teams tem filtros e coloca fundos falsos...

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