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A mãe não dorme

Mãe que não dorme e que vai trabalhar todos os dias com outros filhos, os alunos! Professora contratada, eternamente contratada! Subscrevam o blog e vamo-nos lendo por aqui!

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A mãe não dorme

18
Out20

AEC - o parente pobre do Primeiro Ciclo!


Vera Garcia

A propósito do texto que escrevi "A Estrada do 120", houve uma colega que pediu  a minha opinião sobre as Actividades de Enriquecimento Curricular, vulgo AEC. E é sobre isso que vou escrever e, certamente o que vou dizer não vai agradar a muita gente.

Quando comecei a leccionar, em 2006, iniciei a minha práctica precisamente nas AEC e, dois anos depois, passei para o 330, para a Educação Especial, 330 outra vez e, finalmente, 120. Enquanto professora  da disciplina de inglês nas AEC, que nem sequer tinha a designação de "disciplina", vulgarmente lhe chamei um "tapa-buraco", uma "entretenga", mas que respeitava profundamente por saber da importância que tem a aprendizagem de inglês nos dias que correm e como é fundamental o exercício físico e a exploração artística, referindo-me a Educação Física, Expressões, Música, Teatro, etc. Eu, tal como muitos colegas, ingressei nesta actividade com uma licenciatura tirada, pelo índice 126. Por conseguinte, os nossos salários eram processados com a categoria de técnico e não de professor. Para mim, não passam de nomes, designações que apenas significam que os professores de AEC não são vistos como professores pelo Ministério de Educação e, pior ainda, nem por muitos colegas titulares de turma. Naquela altura, éramos governados por um Ministério que chegou ao cúmulo e indecência de nos tratar como "candidatos" a professores! Não éramos, já? Não fizemos todos estágio pedagógico, aprovado pela escola onde estagiámos e pela Universidade que frequentámos? Enfim...mas a amargura cresce exponencialmente quando, em contexto de sala de aula, muitos dos armários se encontravam trancados, o acesso ao material da sala era inacessível e a própria abordagem que era feita aos alunos incluia a célebre frase " isto aqui não é nenhuma Aec! Vamos a sentar e a calar!" - porque nas Aecs os alunos já se podem portar mal...E todos sabemos que em 2020 a abordagem continua a mesma, em muitas bocas por este país a fora! Felizmente, nem todos são assim... enquanto trabalhei neste regime, tive a sorte de isto não me acontecer, mas sei e presenciei várias situações contrárias com colegas meus. Há os de primeira, os de segunda e os de terceira...tive sorte.

As Actividades de Enriquecimento Curricular estão entregues a Câmaras (que geralmente são mais generosas no tratamento salarial) e a entidades externas, Associações e empresas da treta, cujo objetivo é explorar ainda mais estes desgraçados que palmilham quilómetros, de escola em escola, sem qualquer ajuda de custo! E ADSE? E subsídio de refeição? Causa-me gastrite este nome de AEC, esta coisa! Eu não vejo chamar ao Português de PT, à Matemática de MT, ao Estudo do Meio de EM, etc! Por quê AEC? Por que não se designam as coisas pelo seu nome? AEC é uma coisa, que geralmente significa "entreter". Conheço colegas que fazem um trabalho excelente com os alunos e que não se queixam de nada, aceitam, pelo amor à camisola. São dignos! Eu não consigo calar-me! Trabalho no 120, que não deixa de ser inglês,  mas que subiu na categoria e passou a curricular. Mas caríssimos colegas, alguém concordará que o 120 não passa de uma Aec (detesto esta designação!) disfarçada? Os nossos horários parecem mais rotos do que uma manta trespassada de traças! Continuamos tapa-buracos, à mercê dos horários dos professores do primeiro ciclo e fazemos as pontas, porque as pontas ninguém as quer! E ajudas de custo? E quando as pagam, uns Agrupamentos pagam x, outros pagam y por quilómetro e, em nenhum dos casos, chega para pagar o combustível!

Não me lamento do que faço, faço-o por gosto porque, se quisesse, já  estaria noutro grupo de recrutamento há muito tempo. Lamento é a forma como a nossa profissão, o nosso empenho, dedicação  e o nosso TEMPO continua a ser tratado.

Desculpem qualquer coisinha...15 anos de estrada já me dão o direito de falar! 

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