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A mãe não dorme

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A mãe não dorme

10
Nov20

Efeitos psicológicos do vírus nas crianças


Vera Garcia

20201021_191336.jpgCada vez que pego no carro de manhã, os quilómetros que tenho pela frente dão-me tempo para pensar. E eu pensei em muitas coisas...mas o telefonema que recebi neste fim-de-semana marcou-me e fez-me reflectir. Acima de tudo, ela é mãe. É mãe de uma pequenina de seis anos. A S. sempre foi extremamente bem educada, uma menina ponderada, muito empenhada, com brio pelo que faz e ávida de conhecimento. A escola que frequenta muito tem contribuído para as suas aprendizagens, bem como a estimulação feita em casa, com pais muito presentes, interessados e preocupados. A S. ingressou no primeiro ano do 1o ciclo, a saber falar inglês de uma forma como gostaríamos de ver nos nossos alunos de 7o ano. Vieram os resultados das suas primeiras avaliações...entre o não suficiente e o suficiente, assim anda o desânimo desta criança. A tranqulidade deu lugar a crises de ansiedade e a um retrocesso da sua maturidade emocional.Porquê? Os pais são presentes, carinhosos, preocupados. A escola é exigente, bem apetrechada de material, com bons profissionais. Não se entende, não fosse a realidade que esta criança enfrenta. Afastada da família desde Março, colocada numa "bolha" muito restricta na turma que frequenta, com intervalos extremamente reduzidos para evitar contactos, bombardeada com noticiários que pouco ao mais falam a não ser sobre o vírus, mortes e futebol, esta criança, tal como quase todas as outras, começou a sentir os efeitos secundários de uma pandemia que já a afectou, mesmo sem ter contraído vírus nenhum. O desinteresse pela escola é evidente. A tristeza abateu-se numa carinha outrora radiante. Os pais estão preocupados e apreensivos. Esta geração, especialmente quem vive nas grandes cidades, está a ser obrigada a tornar-se virtual, robótica. Os humanos precisam de afectos, as crianças ainda mais...um abraço, o toque, um colinho, um beijinho da professora, da amiguinha...estamos a negar-lhes tudo o que se chama de "infância". Temos culpa, pais e professores? Não. A realidade a isto nos obrigou. No entanto, tentemos achar um equilíbrio nisto, consciencializar para hábitos de higiéne e protecção individual, mas sem alarmismos, pânicos. E, sinceramente, a hora do telejornal devia ser substituída pela Heidi e o Pedro ou coisas do género. Lembro-me da minha filha, num destes fins- de-semana. Andou a cavar a terra com o avô e a plantar couves, suja de terra e lama até aos joelhos, mas...no domingo, apanhei-a a ver o Somos Portugal muito atentamente. Quando questionada, disse-me que estava à espera de ver o carrossel na tv, outra vez...

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