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A mãe não dorme

Mãe que não dorme e que vai trabalhar todos os dias com outros filhos, os alunos! Professora contratada, eternamente contratada! Subscrevam o blog e vamo-nos lendo por aqui!

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A mãe não dorme

09
Abr21

Por um lugar ao sol, contratados


Vera Garcia

 

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Tenho uma amiga que, em tempos, me disse: "fartei-me dos contratados". Ela foi dirigente sindical com tal afinco que conseguiu dar cabo da vida pessoal toda. Não havia namorado que se aguentasse ao lado de uma mulher em luta constante. Vi-a a ser espezinhada nas redes sociais. Chegaram a chamar-lhe lésbica, só porque defendia os direitos dos homossexuais. Imagine-se...

Muitas vezes chemei-lhe lunática, doida, chata, massacrante com as lutas dela, e era! Eu era tão novata na minha vidinha de professorinha acabadinha de sair da Universidade, que não percebia que a luta dela também era por mim e pelos outros contratados. Percebi isso em 2012 quando, seis anos depois, as injustiças me começaram a bater à porta. Fui com ela para a Assembleia da República e aprendi com ela como funcionam as coisas. Nunca fui dirigente sindical. Pertenci à Fenprof durante pouco mais de um ano e saí. "Por que é que te fartaste dos contratados?", perguntei-lhe eu num desses dias. "Porque ninguém se mexe, ninguém luta pelos seus direitos. As pessoas deixam-se comer e não percebem que quem coloca os deputados lá somos nós. Nós temos o direito de exigir que eles trabalhem e nos oiçam e zelem pelos nossos direitos!". Tinha razão esta minha amiga. Afastou-se desta vida que lhe roubou uma boa parte da vida dela. Hoje escrevi em diversos grupos de professores que devíamos encher as caixas de email de todos os grupos parlamentares com todas as injustiças que vivemos, enquanto professores precários. Vi alguns colegas (poucos) a insistirem no mesmo. A grande maioria lê, reclama e concorda, mas a seguir vai fumar um cigarrinho à varanda e deixa passar. Dá trabalho arquitectar um mail, colocar lá as nossas reivindicações ...mais facilmente perdemos tempo a comentar larachas no facebook.

Tive sorte em escrever para o Com Regras durante uns tempos. Quando li a sua nota de despedida, com ela também foi muita da minha vontade de lutar, reclamar e escrever para as entidades certas. ...

Só queria dizer-vos que, antes de escrever estas linhas, sentei-me ao computador e redigi um email sobre a minha/nossa situação e enviei para todos os grupos parlamentares. Escrevi, com alguém puxar-me as calças e a blusa, a dizer que tinha fome, a dizer que queria uma chupeta na boca e outra na mão, que não queria comer sopa, a atirar bonecos para o chão com as altas fúrias insuportáveis dos 3 anos. Ainda assim, escrevi, enviei, fui-lhe dar o jantar, lavar-lhe os dentes e as mãos e adormecê-la. 

Chegámos a uma altura da nossa vida em que, ou saímos da zona de conforto a pulso, ou comeremos a mesma cepa torta. 

Imagem retirada de:

https://www.google.com/search?q=acordai!&tbm=isch&ved=2ahUKEwju2det5u_vAhUNihoKHcXUAewQ2-cCegQIABAC&oq=acordai!&gs_lcp=ChJtb2JpbGUtZ3dzLXdpei1pbWcQAzICCAAyAggAMgQIABAYMgQIABAYMgQIABAYOgcIIxDqAhAnOgQIIxAnOgQIABBDOgcIABCxAxBDOgUIABCxAzoGCAAQBRAeOgYIABAKEBg6BAgAEA06CAgAEA0QBRAeUNELWKhBYJNPaAZwAHgAgAGDAYgBgAqSAQMzLjmYAQCgAQGwAQXAAQE&sclient=mobile-gws-wiz-img&ei=fJFvYO6rLo2UasWph-AO&bih=647&biw=360&client=ms-android-samsung-gj-rev1&prmd=niv&hl=pt-PT#imgrc=ip73Bdu8U3H0VM

 

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