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A mãe não dorme

Mãe que não dorme e que vai trabalhar todos os dias com outros filhos, os alunos! Professora contratada, eternamente contratada! Subscrevam o blog e vamo-nos lendo por aqui!

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A mãe não dorme

20
Dez20

Que presente de Natal gostarias?


Vera Garcia

Margarida, 3 anos: "Mãe, quando vamos ver as montras?...Mãe, podemos ir ver a casa do Pai Natal (wonderland)?...Mãe, quando é que vamos aos Carrosséis?"...em vez de lhe responder, tenho a sorte de lhe poder calçar as botas de borracha e vê-la a correr pela horta a fora, cheia de lama até aos cotovelos...mas, como ela, também tenho ânsias de fugir desta realidade distorcida em que vivemos. E não há dia nenhum em que as malvadas notícias não sejam ruins. Esta infestação, sim, infestação porque já estou farta da palavra vírus, esta maldita infestação está a desgraçar-nos psicologicamente. E, quer queiramos, quer não, mesmo que o hediondo bicho ainda não tenha tido o desplante de nos tocar à campainha, já nos entrou sorrateiramente no cérebro e lá se instalou, causando danos dia após dia. Muitas vezes penso que, se estivesse sozinha, sem filhos, tudo seria mais fácil, não teria de explicar nada...mas tenho. Ela tem 3 anos, o "porquê" e o "porque" não a satisfazem. Ela tem sorte, não está confinada a quatro paredes como a maioria das crianças. "Sou do tamanho do que vejo"  é frase que se aplica ela e a mim, que sou mãe dela. Tal como eu, nasceu com ânsias. Ânsias de mais. De ver mais. De experimentar mais. De não se acomodar ao que há, ao que tem de ser. Pessoas assim sofrem mais, diria...porque nunca estão satisfeitas com o que têm. Serão egoístas ou sonhadoras? Ou serão ambas? 

Não gosto do queixume...ninguém quer saber de queixumes. Há realidades infinitamente piores, não tenho o direito de me queixar. É um desabafo, palavras deitadas aqui. Não nasci antes do 25 de Abril. Não sei o que é não poder falar, não poder opinar, não poder querer, não poder fazer. Nasci na liberdade política (quer se acredite, ou não). Liberdade. Nasci em liberdade e, de repente, tiram-ma, por motivos de doença, medo, responsabilidade pessoal e social. E eu obedeço e definho. Quero fugir. Pegarmos na nossa filha e corrermos o mundo. Quero comer e beber com todos de quem gosto, sem medo de fazer mal a alguém. Liberdade. Tantas coisas que eu deixei de fazer por...não me apetecer. Por preguiça. Tantas vezes que agarrei no telefone, quando podia ter estado fisicamente. Por comodismo. Eu e tu, que estás a ler estas palavras que me saem devagar...

Natal...ainda dás valor aos presentes ou a tua maior fortuna seria estares com a tua família e os teus amigos? O materialismo de nada vale. O que vale são os abraços, os beijos e as gargalhadas! Alguém se lembra dos que nunca tiveram isto na sua vida, mesmo antes desta praga aparecer? Alguém se lembra dos que passaram Natais sozinhos, por doença, por miséria? Não passamos de burgueses de barriga cheia a queixarmo-nos de solidão. Solidão, mas de barriga cheia. 

Pudesse eu fazer magia, como as fadas...

 

Imagem retirada do google.

orações-de-cura.jpg

 

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